'EUA estão contratando uma inflação global', diz especialista sobre tarifaço de Trump
02/04/2025
(Foto: Reprodução) Para Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ, o Brasil não foi dos mais prejudicados pelo anúncio do presidente americano. 'Brasil não foi dos mais prejudicados', diz especialista sobre tarifaço de Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, detalhou nesta quarta-feira (2) quais serão as tarifas recíprocas que pretende cobrar de produtos importados a partir de abril. Segundo especialista ouvido pela GloboNews, o Brasil não foi dos mais prejudicados, e a medida é um risco para a inflação global.
“Com essa medida, os Estados Unidos praticamente estão assegurando a contratação de uma inflação global, e essa é a maior preocupação geral mundo afora", afirmou Carlos Frederico Coelho, professor de Relações Internacionais da PUC-RJ e da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército.
"Inflação essa que já assombra a economia brasileira e é o pavor de todos os governantes que enfrentaram eleições nos últimos anos”, disse Coelho.
De acordo com o especialista, as tarifas não são boas, mas podem abrir novos mercados para o Brasil. "O Brasil não foi um dos mais prejudicados, primeiramente. A maior concentração é em relação à China, e isso deve abrir algumas oportunidades específicas para a indústria brasileira”, explicou.
“O efeito que isso tem ou pode ter é abrir novos mercados, que estão sendo afetados por essas novas tarifas, para produtos brasileiros. Ganhos setoriais são possíveis para o Brasil, mas a maior preocupação é que essas medidas, para além da relação bilateral, contratem uma inflação global para todos os mercados".
Taxa de 10%
O presidente dos EUA, Trump, faz anúncios sobre tarifas na Casa Branca
Reuters/Carlos Barria
O republicano afirmou que o país cobrará 10% de todas as importações feitas do Brasil, e as demais tarifas que serão cobradas dos países que taxam produtos norte-americanos serão ao menos metade da alíquota cobrada dos EUA. Veja a lista completa mostrada por Trump.
Chamada pelo republicano de "Dia da Libertação", esta quarta-feira marca o início de um conjunto de tarifas que, segundo Trump, libertarão os EUA de produtos estrangeiros.
No caso do Brasil, a base para todos os produtos é de 10%. Aço e alumínio, que têm taxas próprias já anunciadas, seguem com 25% de taxa.
O presidente norte-americano afirmou que, caso os países não queiram ser taxados, devem transferir suas fábricas para os EUA. "Tarifas dão ao nosso país proteção contra aqueles que nos fariam mal econômico. [...] Mas, ainda mais importante, elas nos darão crescimento", afirmou Trump.